O que é uma Orquestra de Cordas?


Quando pensamos em formações de grupos musicais, percebemos a grande quantidade de possibilidades e formatos. Dos mais tradicionais aos contemporâneos e até inusitados, a prática musical se dá de inúmeras maneiras.


Instrumentos tocados com arco são retratados em pinturas europeias desde 900 d.C, mas até o século XVII estes instrumentos possuem formas, tamanhos e nomes diversos, como “violoncino”, “violone”, entre outros. Os instrumentos menores já eram tocados como o atual violino, e os instrumentos maiores apoiados entre as pernas dos executantes.


Formada por instrumentos de "cordas friccionadas" (os que dependem da fricção do arco para produzir som), temos a ORQUESTRA DE CORDAS. Esta estrutura teve as primeiras aparições datadas do final do século XVII, sendo o italiano Arcangelo Corelli (1653 - 1713) um dos compositores principais a seguir esta organização.


Todos os instrumentos pertencentes a este grupo são parte da família do violino, causando várias dúvidas em relação aos seus nomes e tamanhos, sendo a viola, sempre, a mais ofendida e menos conhecida Rs. Vamos falar aqui um pouquinho de cada um deles e tentar mostrar como cada um funciona.


VIOLINO

O violino possui o som mais agudo entre seus irmãos, a viola, o violoncelo e o contrabaixo, e é um dos instrumentos mais perfeitos acusticamente, além possui uma versatilidade musical extraordinária. Desde as suas origens o violino sofreu uma evolução considerável para atender as exigências de sucessivas gerações de intérpretes e compositores.


No início do século XVII o violino começava a desenvolver um papel importante de expressividade e virtuosismo. Sua consolidação representa um dos maiores triunfos na construção de instrumentos musicais, com marco de desenvolvimento na Itália, sendo adotado em todos os tipos de músicas em todas camadas da sociedade, além de ser presença marcante em várias culturas de todo mundo. É dos instrumentos com maior repertório idiomático e musicalmente mais refinado.


VIOLA

Com tessitura que se assemelha a voz de um contralto e/ou tenor, a viola tem o início de sua história no início do século XVI, no norte da Itália, podendo ser até 13 centímetros maior que o violino, já que o tamanho do instrumento nunca foi padronizado.


As quatro cordas da viola são afinada em Dó, Sol, Ré e Lá, uma quinta abaixo do violino e uma oitava acima do violoncelo. Antes de 1740 a viola raramente era usada como solista em qualquer contexto, além de ser banida para a obscuridade do acompanhamento, ficando com as harmonias medianas.


O instrumento entra para a história dos concertos apenas na segunda metade do século XVIII, com Georg Philipp Telemann, compositor do primeiro “Concerto para Viola e Orquestra” da história. Já no período clássico, o papel da viola na música de câmara e no repertório orquestral se torna mais e mais proeminente.


O instrumento, que até então apenas preenchia a harmonia, passa a ter solos frequentes em composições camerísticas, desempenhando importante papel, especialmente nas obras de Mozart e Beethoven. Vale ressaltar os concertos de Carl Stamitz e Franz Anton Hoffmeister, que são até hoje obras exigidas em concursos e competições.


VIOLONCELO

O violoncelo é o instrumento mais recente da família das cordas friccionadas a ser padronizado na sua forma atual. O nome atual, violoncelo, só foi definitivamente adotado no fim do século XVIII, que significa em italiano “pequeno grande violino”. Nos seus primórdios o violoncelo era constituído em várias medidas e afinado de diversas maneiras, tendo seu modelo atual estabelecido por Antonio Stradivari, ao criar o que ele chamou de “forma B”.


Os instrumentos construídos por Stradivari são vendidos até hoje por valores milionários, por suas medidas equilibradas e perfeitas, com sons brilhantes nas regiões grave, médio e agudo.


Um fato curioso sobre o violoncelo é a criação do “espigão”, uma espécie de vareta que apoia o violoncelo no chão, criado apenas em 1845. Neste mesmo período o instrumento deixa de ser apenas utilizado como acompanhante nas formações camerísticas e passa a ser solista nas mãos de Johann Sebastian Bach, com suas “Suítes para Violoncelo Solo”.


CONTRABAIXO

O contrabaixo é o maior instrumento em uso, de som mais grave da família das cordas friccionadas. Soa uma oitava abaixo do violoncelo e apesar de possuir algumas diferenças nítidas de seus irmãos, possui características e formato bem parecido.


Com quatro e às vezes cinco cordas, ele possui cordas afinadas em intervalos de quartas, diferente dos outros da família, cujas cordas são afinadas em quintas, e seu corpo chega a medir de 1 metro a 1 metro e 20 centímetros.


Na música ocidental, o contrabaixo é mais conhecido por sua contribuição na orquestra, onde fornece não só o peso grave como também a base rítmica, além de seu uso frequente como baixo contínuo. Ele raramente aparente como instrumento solista, apesar de ter em sua literatura uma grande quantidade de peças como instrumento concertante.


Juntos e em naipe, totalizando em média vinte músicos, formam uma Orquestra de Cordas. A literatura disponível para estes conjuntos é simplesmente MARAVILHOSA! Nós separamos uma Playlist Colaborativa no Spotify com algumas obras, e te convidamos a também trazer suas referências para esta formação.


As fotografias são de Fábio Alcover dos Grupos Orquestrais e Músicos Convidados da Academia Orquestral Bravi.


GRUPO ORQUESTRAL: Orquestra Infanto-Juvenil Bravi

VIOLINO: Luiz Carlos Volpato

VIOLA: Jairo Chaves

VIOLONCELO: Fernanda Monteiro

CONTRABAIXO: Felippe Emmanoel


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